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CONDENAÇÃO DE MANUEL CHANG EXPÕE ENVOLVIMENTO DE OUTRAS FIGURAS POLÍTICAS NO ESCÂNDALO DAS DÍVIDAS OCULTAS

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) afirmou hoje que a condenação do ex-ministro moçambicano Manuel Chang, nos Estados Unidos, confirma o envolvimento de outras figuras políticas no escândalo das dívidas ocultas e reforça a necessidade de responsabilização de toda a rede de corrupção envolvida.

"A condenação de Chang evidencia que há mais envolvidos e que o escândalo possui contornos ainda mais amplos, que precisam ser devidamente investigados", declarou o FMO em comunicado enviado à Lusa. A entidade, que reúne 21 organizações não-governamentais moçambicanas, exigiu que as investigações continuem, tanto por parte das autoridades nacionais quanto internacionais, com o objetivo de responsabilizar toda a rede de corrupção.

Manuel Chang, ex-ministro das Finanças de Moçambique, foi condenado na quinta-feira nos Estados Unidos por aceitar subornos e por conspiração para desviar fundos destinados à proteção e expansão das indústrias de gás natural e pesca do país. De acordo com os procuradores, Chang teria recebido sete milhões de dólares em subornos, transferidos por bancos norte-americanos para contas europeias de um associado.

Detido em 29 de dezembro de 2018 no Aeroporto Internacional O. R. Tambo, em Joanesburgo, África do Sul, quando estava a caminho do Dubai, Chang foi preso com base em um mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos. A sua extradição foi alvo de uma disputa judicial entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, que pediu sua extradição para o país, e o FMO, que manteve a pressão para que fosse julgado nos EUA.

O FMO reforçou que o julgamento nos Estados Unidos confirma a seriedade das práticas corruptas que causaram enormes prejuízos ao Estado moçambicano. "Confirma-se a existência de suborno e corrupção, como o FMO sempre alertou", afirma o comunicado, acrescentando que o processo contra Chang não deve ser arquivado em Moçambique, pois há outras figuras envolvidas que precisam ser investigadas.

O fórum também defende que a justiça deve assegurar que os cidadãos moçambicanos não sofram as consequências financeiras das dívidas ocultas e que sejam compensados pelos danos económicos e sociais. "A continuidade desse processo contra todos os envolvidos é essencial para restaurar a confiança pública nas instituições", conclui a nota.

Manuel Chang nega todas as acusações e alega que foi o atual Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, então ministro da Defesa, quem o instruiu a assinar as garantias bancárias que viabilizaram as dívidas ocultas. Este escândalo, que remonta a 2013 e 2014, envolveu garantias estatais sobre empréstimos da Proinducus, Ematum e MAM, totalizando cerca de 2,7 mil milhões de dólares, e teve impactos profundos na economia moçambicana, levando o país a uma grave crise financeira. 



#TVSucesso #Lusa

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